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Casos que Ensinam

Calculadora x vida real: por que trocar um terreno na planta pelo CDB pode custar caro

Publicado em 19 de julho de 2026

Sou economista antes de corretora — e escrevo aqui do mesmo jeito que atendo: com análise, não com pressa de fechar negócio. Seja bem-vindo(a).

Calculadora x vida real: por que trocar um terreno na planta pelo CDB pode custar caro
Recentemente vivi uma situação que ilustra bem um dilema comum entre investidores da nossa região. Apresentei a um cliente um condomínio fechado em construção, focado em terrenos, num dos vetores de maior crescimento de Pindamonhangaba. O projeto era sólido, a infraestrutura futura de alto padrão, o potencial de valorização evidente. Ainda assim, depois da visita, o cliente decidiu não fechar negócio. O motivo? Ele pegou a calculadora. Somou o preço do lote, os custos estimados de escrituração e cartório, considerou uma valorização projetada de 40% em até três anos — prazo de entrega das obras — e concluiu: "Mary, fazendo as contas, acho melhor deixar meu dinheiro rendendo no CDB." Mas ele foi além. Calculou mês a mês quanto o dinheiro dele renderia no CDB frente ao custo do saldo devedor financiado em 72 vezes, com juros de 0,50% ao mês + IPCA, sobre o valor restante após a entrada à vista de 8%. Comparou as duas taxas lado a lado — e, mesmo assim, decidiu não comprar. Como economista, entendo perfeitamente esse raciocínio. O CDB traz previsibilidade e segurança, e chegar a esse nível de detalhe — comparando taxa de rendimento com taxa de financiamento, mês a mês — já é mais do que a maioria dos investidores costuma fazer. Ele já tinha decidido, e esse era o momento dele. Meu papel, ali, era respeitar essa decisão, não insistir nela. Mas o caso ficou comigo, e vale compartilhar o que a planilha que o cliente fez, mesmo tão bem construída, não chega a capturar. O poder invisível do fluxo de caixa Comprando imóvel na planta, o capital não precisa ser colocado de uma vez. Com uma entrada à vista e o saldo financiado ao longo da obra, parte do capital do investidor pode continuar rendendo enquanto o patrimônio já se valoriza sobre o valor total do imóvel — não apenas sobre o que foi pago até ali. Quando a taxa cobrada no saldo financiado é mais baixa do que o rendimento da aplicação, financiar deixa de ser um custo e passa a ser uma alavancagem. A projeção de 40% e a lógica da escassez Fixar uma valorização de 40% para um condomínio fechado de terrenos bem localizado costuma ser uma leitura conservadora. O mercado imobiliário não se move em linha reta como a renda fixa — ele responde a ciclos e à relação entre oferta e demanda. Terrenos em condomínios fechados são um ativo finito: quando a obra termina e a infraestrutura se consolida, a demanda por aquele espaço aumenta, e é nesse momento que o valor tende a saltos que a renda fixa dificilmente acompanha. Pindamonhangaba em um novo momento Investimento imobiliário depende muito da região, e Pindamonhangaba vive hoje um vetor real de desenvolvimento — novas empresas, novos profissionais, mais infraestrutura. Comprar na planta nessa região nesse momento costuma significar entrar antes que o mercado precifique esse movimento. O que fica desse caso Os custos de escrituração e registro existem e devem entrar no planejamento de qualquer comprador — isso não muda. Mas o que esse atendimento me ensinou é que meu papel como consultora não é vencer o cálculo do cliente, é oferecer análise quando ele quer ouvir, e respeitar quando a decisão dele já está tomada. É um bom exemplo do Método A.E.S. na prática: Analisar não significa empurrar uma conclusão — significa estar disponível para mostrar outros ângulos, e aceitar quando a resposta é "ainda não" ou "não agora." Cada decisão patrimonial tem seu próprio tempo, e às vezes o tempo certo é simplesmente escutar. ▶ Simular meu financiamento grátis → marymoura.com.br/simulador Mary Moura – Corretora de Imóveis | CRECI 190804-F/SP Economista por formação. Corretora por escolha. 25 anos de experiência financeira. 7 anos aplicando esse conhecimento para orientar escolhas imobiliárias com segurança. Economista e Pós-graduada em Gerência Empresarial.
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